Estou vendo você soltar minhas mãos aos pouquinhos. Dói. Prefiro que solte de uma vez, diga que vai, me dê um beijo de judas no canto do pescoço e diga que torce pra que eu seja muito feliz. Irônico. Esses fins rápidos e comuns são irritantes, mas confesso que são melhores. Doem menos. Vamos, para de deixar sua mão escorregar da minha assim, solte de vez, diga que a culpa não é minha e sim sua, e que na verdade, isso não ia dar certo mesmo. Por favor. Não estou te implorando isso porque quero que vá, pelo contrário, viveria o resto de minha vida toda ao seu lado, mas, você está indo. Não posso deixar de sentir cada vez menos as batidas do teu coração, e assim, aos pouquinhos, corrói e fere demais. Não posso colocar curativos ou maquiar a dor se você ainda está aqui, mas, não posso ser feliz se estou vendo que não vai durar. Não vai continuar. Me lembro da sua voz, lembrança vaga, mas lembro, e bem, me enfeitiçava antes. Porém, agora ao lembrar, sinto medo de nunca mais poder ouvir. Se eu pudesse, firmaria tua mão a minha, amarraria nossos corações, pediria de joelhos pra ficar, mas, não adianta. Infelizmente, no amor, não se pode fazer nada em relação ao sentimento do outro. E é ruim demais, mas temos que aceitar quando chega a hora de dizer adeus. Aquela hora dolorosa pra todos. Já fiz minhas malas, já estou pronta. Não posso soltar sua mão, não quero e não consigo. Mas, estou no ponto de partida, assim, quando me mandar ir de vez, eu não tenho que te importunar por muito tempo. É, meu caro. Nada será como imaginamos, mas, de uma coisa, se acerte: Vou sempre me lembrar de você e de cada sorriso que arrancou de mim. E, dentro do coração, vou deixar um espaço em branco, que é pra caso você decida voltar e preencher de novo o vazio que vai deixar, assim que finalmente, me abandonar. (Acentue-me)
(via quando-anoitecer)